Largo da Lapinha

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por Jordan Mendes

Apreciar a bela vista da Baía de Todos os Santos, tomando uma cerveja bem gelada no bar Belvedere. Fazer uma “fezinha” na casa lotérica. Olhar as revistas na barraquinha de seu Antônio. Tomar uma água de coco ou comer um acarajé enquanto espera-se o ônibus. Abastecer o carro. Comprar o pão. Pegar um táxi. Assistir a missa das 6h da noite. Essas são algumas das coisas que pode-se fazer num mesmo lugar: o Largo da Lapinha. Uma praça dá um ar de uma cidadezinha do interior ao largo. Uma estátua em homenagem aos heróis da independência, um parquinho de aspecto sujo, um coreto, alguns bancos e mesas, e uma igreja são as primeiras coisas percebidas por um visitante. A rua de paralelepípedos e as casas são indícios da história do bairro, que abriga, numa casa verde em estilo colonial, o caboclo e a cabocla, símbolos da independência baiana. Durante a semana, a calmaria e tranqüilidade reinam no Largo da Lapinha. Porém, apesar do ambiente harmonioso, as pessoas que moram, trabalham e freqüentam o local, reclamam da segurança e conservação do mesmo.

“A convivência com os moradores e as pessoas daqui é a melhor possível, 100%”, disse o taxista José Cardoso, que trabalha no largo há 20 anos. Esse sentimento é compartilhado também por pessoas que estão visitando o local pela primeira vez, como o vendedor de picolé Gabriel Santana, que comentou: “É um lugar calmo, tranqüilo, e as pessoas são bem agradáveis”.

A diversidade é uma característica marcante do Largo da Lapinha. “Esse é o único lugar onde você pode assistir uma missa e depois tomar uma ‘cervejinha’”, disse Abner Lima, técnico em eletrônica e morador do bairro há nove anos. Abner complementa dizendo que apesar da Lapinha ser um bairro de classe baixa e média, e ter seus problemas, no largo, as diferenças de raça e classe ficam de lado. O ambiente é sempre de tranqüilidade.

“Adoro morar na Lapinha. Não trocaria esse lugar por nada. Tenho tudo que eu quero aqui. Compro o pão, pago minhas contas na loteria, vou à missa. É muito cômodo”, afirmou Valdivia da Paixão, dona de casa e moradora do bairro há mais de 40 anos. Mostrando-se uma católica fervorosa, Valdivia uma simpática senhora, ainda questiona o repórter: “A Igreja da Lapinha é linda. Você já entrou lá?”.

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Para Rita de Cássia dos Santos, moradora do bairro há 23 anos, a Lapinha deveria ser tombada. Ela protesta, com seriedade no olhar, dizendo que o bairro é um centro histórico com uma arquitetura colonial rica, que não deixa “nada a desejar” ao Pelourinho. “A prefeitura não dá o devido valor à Lapinha. O largo reúne uma riqueza histórica e arquitetônica que deveriam ser encaradas com mais atenção pelo governo do estado. É um absurdo deixar casarões como esses desmoronar ou pegar fogo, como aconteceu anos atrás”, reclamou Rita.

Segurança e Conservação
“Eu moro aqui na Lapinha há 16 anos. Eu normalmente venho para o largo pra estudar ou conversar com amigos, mas sempre fico muito preocupada, se estou com celular, escondo na bolsa, até porque fui assaltada duas vezes aqui”, disse Niuelen Dias, estudante, que estava sentada num dos bancos da praça com um amigo. Para João Henrique Mascarenhas, que trabalha num dos bares do local há seis anos, apesar de ter uma delegacia nas redondezas o policiamento é precário. Ele comentou que no largo não têm muitos problemas, pois os policiais sempre fazem a ronda, porém nas ruas adjacentes acontecem assaltos e furtos.

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“Segurança aqui não existe, conservação piorou. Olha esse parquinho aí? Tem mais de seis anos que está essa imundice”, protesta Gil, que trabalha no largo como taxista. Já João Henrique discordou em parte: “Nesses últimos seis anos a aparência do largo melhorou muito. Toda segunda-feira vem um carro pipa lavar a praça, e os varredores todos os dias estão aqui também”. Porém, João ressaltou que a prefeitura pode fazer ainda mais pelo Largo da Lapinha.

Luciene dos Santos, comerciante e moradora do bairro há 25 anos, acha que é necessária uma maior atenção ao Largo da Lapinha. Para ela falta uma união organizada dos moradores do bairro para fazer as exigências junto à prefeitura. “O largo tem muito pra melhorar ainda, mas falta uma união das pessoas do bairro. Teríamos que criar uma associação dos moradores para termos força pra reivindicar as melhorias necessárias ao bairro e ao Largo da Lapinha”.

(Novembro 2007)

Uma resposta

  1. oi tenho 12 anos sou uma crianca aida mais não posso sai para praça

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