
por Jordan Mendes
Fotos: Divulgação e Marco Beltramo
Uma das coisas que chama a atenção ao chegar a Rua do Queimado, de casas simples e asfalto esburacado, é o prédio de portão verde e extensa parede que leva as letras OAF (Organização do Auxílio Fraterno) nas cores azul, amarelo e verde. Ao passar pela portaria e adentrar a instituição, percebe-se um lugar muito organizado e limpo, contrariando a estrutura do bairro. Conhecendo a OAF, tem-se a sensação de que as coisas funcionam lá, apesar da ONG (Organização Não Governamental) está sendo acusada de superfaturamento na venda dos produtos das suas oficinas, o que tem limitado os projetos desenvolvidos pela mesma.
Fundada em 1958, pela professora e advogada Dalva Matos, a OAF tem como objetivo atender aqueles cujas condições mínimas de vida e cidadania são negligenciadas. “Quando a professora Dalva começou o trabalho, a OAF era uma casa onde ela abrigava crianças e pessoas necessitadas”, disse Margarida Neves, uma das diretoras da instituição. Além da fundadora Dalva Matos, pessoas como Carlo Novarese, Vanda Pereira e o Padre Clodoveo Piazza foram importantes para o crescimento da ONG, que fica localizada no bairro da Lapinha. Hoje, a OAF, que tem como membros da sua diretoria Marcos Paiva, Margarida Neves, Vanda Pereira e Célia Pereira, conta com uma infra-estrutura e organização significativas, e tem como principais parceiros o Governo do Estado da Bahia através das Secretarias do Estado de Ação Social, de Educação e de Ciência, Tecnologia e Inovação, a Prefeitura Municipal de Salvador através das Secretarias Municipal de Educação e Cultura e do Trabalho e Desenvolvimento Social, a Fundação Nova Caritas, a OAF Itália, a Coelba, e o Instituto de Idiomas Yázigi S/C.
Moradia e educação
A OAF conta com a Casa-Lar, que possui 10 apartamentos com quatro quartos cada, que abrigam, no máximo, 10 crianças e adolescentes órfãos cada um. Esses jovens convivem como irmãos e têm, pelo menos, uma mãe ou pai “social”. “Os pais sociais ficam com as crianças de segunda a sexta, e são a figura paterna ou materna delas”, disse Priscila Muniz, coordenadora do Telecentro da Casa Brasil. Além disso, a OAF providencia educação formal integral para esses jovens até o ensino fundamental, na Escola Carlo Novarese, com ênfase na criatividade e comunicação.

A organização também tem o Centro de Formação Profissional, que oferece cursos concorridos de Automação Industrial, Pneumática, Eletrônica, Hidráulica, Movelaria, Vídeo, Corte e Costura, Informática, Eletricidade, Mecânica de Autos, Manutenção Hospitalar, entre outros. “Por estarmos sofrendo acusações, tem pouco dinheiro entrando e por isso o centro de formação está parado”, comentou Margarida Neves.
A Organização do Auxílio Fraterno tem ainda a UNICA (Universidade da Criança e do Adolescente) que é um espaço onde lazer, educação e trabalho se fundem, e os jovens excluídos têm contato com a cultura técnica e científica.

Oficinas produtivas
A OAF também conta com as chamadas Oficinas Produtivas, que ajudam a contribuir para a continuidade dos programas sociais desenvolvidos pela ONG. Essas oficinas desenvolvem atividades de metalurgia, marcenaria, edição de impressos, solda, confeitaria e serviços de manutenção predial, funcionando também como núcleos de aprimoramento da formação profissional do jovem. Margarida disse que essas oficinas são um projeto de auto-sustentação da organização, e têm o apoio do Governo do Estado da Bahia e da Prefeitura Municipal de Salvador.

Casa Brasil
A mais ou menos um ano, a OAF também ganhou com a chegada de uma unidade da Casa Brasil, que fica localizada em suas dependências. Projeto iniciado em Valente, na Bahia, a Casa Brasil é um espaço público, gratuito e de acesso aberto a todos os cidadãos. Em Salvador, existem mais duas unidades da Casa Brasil, que contam com os serviços de rodas de leitura, shows e apresentações, cursos gratuitos e serviços de informática geral. “É um trabalho muito gratificante, pois dá pra ver o retorno que a comunidade tem, além de ser muito bom trabalhar com inclusão social e digital”, afirmou Priscila Muniz.
Acusações
Ganhadora de alguns prêmios, a OAF é um exemplo real de trabalho social em um bairro de classe baixa como a Lapinha, e apesar do árduo trabalho, vem sofrendo com acusações de superfaturamento na venda dos produtos feitos nas Oficinas Produtivas, o que faz com que seus projetos sociais e oficinas fiquem parados.
Para Margarida Neves, está chato desenvolver o trabalho nesse momento, pois como não há dinheiro entrando os projetos não podem ser desenvolvidos e a comunidade perde muito com isso. Ela ainda diz que está havendo um grande equívoco em relação às acusações sofridas pela OAF e que as portas estão abertas para receber a visita das pessoas que querem conhecer o trabalho e o departamento contábil da organização.
(setembro 2007)
Arquivado em: CIDADE
E LA JA PRESTOU AGORA NÃO